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     Assim como os recursos naturais do planeta vêm sendo extraídos em ritmo insustentável, levando a catástrofes globais chamadas de mudança climática, na Economia Extrativista da Atenção, nossa atenção é o recurso vital da humanidade que vem sendo extraído em ritmo insustentável causando o que chamamos de rebaixamento humano.

O que é o Extrativismo de Atenção?

A Economia Extrativista de Atenção utiliza tecnologias avançadas e conhecimentos neurocientíficos para capturar a atenção dos usuários de forma intensiva, visando extrair o máximo deste recurso. Essa abordagem vai além do simples monetizar da atenção, ela busca criar uma dependência - utilizando técnicas avançadas e explorando aspectos psicológicos e neurobiológicos para interromper, fisgar e reter a atenção dos usuários em plataformas digitais de maneira contínua, modificando nossos hábitos.

Assim como os recursos naturais do planeta vêm sendo extraídos em ritmo insustentável, levando a catástrofes globais chamadas de mudança climática, na Economia Extrativista da Atenção, nossa atenção é o recurso vital da humanidade que vem sendo extraído em ritmo insustentável causando o que chamamos de rebaixamento humano.

Algumas Técnicas do Extrativismo

Geralmente o serviço é “de graça” | Ou seja, nós estamos pagando com nossos dados e atenção - mas nem sempre é o caso. Há plataformas no modelo freemium ou até pagas que utilizam técnicas do extrativismo elencadas abaixo - consegue reconhecer algumas?

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Notificações e e-mails para fisgar | Plataformas nos interrompem com mensagens para nos alertar sobre novos conteúdos, oportunidades ou interações com o único propósito de nos puxar à plataforma. Muitas vezes, recebemos o alerta de que houve uma interação -  “fulano te enviou uma mensagem”- mas não exibe a mensagem em si ou não te deixa responder no próprio email - ou seja, é uma isca para nos puxar de volta para a imersão.

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Recomendações de conteúdo personalizadas | Muito antes do ChatGPT vir a público, as redes sociais já usam inteligência artificial para estudar nosso comportamento, nossas interações, aquilo que assistimos mais tempo (mesmo sem dar like) com o intuito de criar um perfil personalizado e sugerir conteúdo mais propenso a chamar nossa atenção e nos manter rolando a tela continuamente.

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Scroll infinito e reprodução automática | Recursos que eliminam a necessidade de clicarmos ativamente para mais conteúdo. O próprio criador do recurso já alegou: “Percebemos que se não oferecermos tempo para que a sua mente e cérebro alcancem seus impulsos, não haverá estímulo de pausa, então elas continuam lá scrollando." É a técnica se aplica também com o autoplay de vídeos, o episódio seguinte que começa depois de uma curta contagem regressiva, stories que tocam em sequência, reels um abaixo do outro…

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Cores, luzes e sons | São estrategicamente utilizados para aumentar a nossa impulsividade. Especialmente a cor vermelha é utilizada para instigar uma ação nossa, aquele sentimento de “Preciso clicar nessa notificação vermelhinha pulsante no canto superior da tela para limpar ela”. Vermelho é a cor de placas de pare, saída de emergência, luzes de ambulância, é a cor do sangue - se aparece em alguma plataforma, saiba, não é por acaso.

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Incontáveis Testes A/B | Empresas realizam incontáveis testes A/B para experimentar com diferentes recursos, layouts e algoritmos para ver o que captura a nossa atenção de maneira mais eficaz. A cor de cada botão, o barulhinho que faz - qual é o design perfeito para nos segurar mais tempo na tela?

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Recompensas variáveis | A aleatoriedade de recompensa eleva o comportamento compulsivo, como constatou o psicólogo B.F. Skinner. Mensagens com oportunidades imperdíveis, likes, comentários, pontos bônus, são usadas como nossas recompensas e entregues aleatoriamente durante as interações nas plataformas. Entramos nas redes sociais, games e plataformas sem saber o que vamos encontrar: dezenas de likes e um novo seguidor, ou simplesmente nada?

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Manipulação de dopamina | O neurotransmissor é um dos principais na determinação do nosso comportamento e por isso é manipulado para nos manter nas plataformas por meio de curtidas, reações, sorrisos, pontos, sentimentos de validação social, entre outros...

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Validação e Comparação social | Número de seguidores, likes, comentários são simbolizados como moedas de validação social, moedas de amor, carinho e afeto e quantificados. Isso facilita a comparação e competição entre nós, incentivando o que impulsiona engajamento. Quantos stories de “feliz aniversário” você recebeu este ano?

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Gamificação | Incorporar elementos de gamificação, como metas diárias, tempo limitado e outras ações que geram prêmios e distintivos - exploram motivações psicológicas dos usuários. Esses elementos desencadeiam quimicamente um senso de realização e nos incentivam a interagir mais com a plataforma.

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Conteúdo com Tempo Limitado | Conteúdo com prazo de validade ou "stories" que criam o receio de estar perdendo algo e nos força a verificar a plataforma regularmente para evitar o sentimento de isolamento social (FOMO - Fear of Missing Out/Medo de estar por fora).

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Assimetria de Poderes | Estamos competindo pela nossa atenção, individualmente, contra um time de engenheiros, programadores, psicólogos, neurocientistas, designers, doutores, MBAs, PhDs... munidos milhares de dados sobre nós, conhecimento sobre nossas vulnerabilidades humanas e bilhões de dólares investidos em algoritmos que se otimizam em ritmo exponencial.

Consequência: Rebaixamento Humano

"Rebaixamento Humano" contempla uma série de consequências que sofremos em escala individual e global relacionadas à Economia Extrativista da Atenção - a cada dia, mais evidências surgem.

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Exposição que está afetando as capacidades cognitivas, emocionais e físicas das novas gerações, tendo consequências permanentes a longo prazo.

Pela 1ª vez, filhos têm QI inferior ao dos pais. Diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, em que apresenta, com dados concretos e de forma conclusiva, como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens.

Crianças em idade pré-escolar que utilizam telas por mais de uma hora por dia apresentam quedas significativas no desenvolvimento das regiões do cérebro ligadas à linguagem e alfabetização.

1 em cada 3 crianças já tiveram interação sexual online - desde mensagens inapropriadas a receber pedidos de nudes ou nudes não solicitadas de outras crianças ou adultos.

A quantidade de tempo gasto por adolescentes utilizando redes sociais está significativamente correlacionada com os níveis posteriores de consumo de álcool enquanto o tempo gasto em outras formas de mídia eletrônica (como TV ou videogames) tem um impacto comparativamente pequeno.

Mais de 90% da comida apresentada nos canais de influencers infantis mais populares do YouTube apresentam comida ou bebidas não saudáveis, patrocinadas por marcas. 

Crianças que assistem a vídeos de influenciadores infantis segurando alimentos não saudáveis consomem significativamente mais calorias.

O nível de uso de mídias sociais é um preditor significativo dos níveis de depressão ao longo de quatro anos em adolescentes.

Há um aumento de 66% no risco de comportamento relacionados ao suicídio entre as adolescentes que passam mais de 5 horas por dia (em comparação com 1 hora por dia) nas redes sociais.

Para estas e mais evidências de rebaixamento humano, recomendamos que conheçam o trabalho do Center for Humane Technology

Caminhos Alternativos

Há caminhos para sairmos desta rota catastrófica. Visualizar na imaginação uma utopia e identificar quais tecnologias nos apoiariam é um ponto de partida para perceber a grande diferença entre um mundo ideal e a realidade atual, além de apontar as mudanças necessárias. 

A transformação começa com a conscientização (parabéns a você, leitor!), a disseminação do conhecimento, a alteração de hábitos e cultura, e a pressão financeira e política sobre práticas extrativistas.

A cada dia que se passa há mais conhecimento e pressão sobre o extrativismo da atenção, precisamos aumentar isso para chegar a mudanças concretas e ter tecnologia alinhada a nossos melhores interesses - tecnologia que não nos distraia ou atrapalhe, mas que nos ajude a ser tudo que possamos ser.

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